Embora viva o melhor momento na carreira e ocupe o 14º lugar no ranking mundial, Kevin Anderson entrou em quadra para enfrentar Andy Murray nesta segunda-feira carregando o peso de ter apenas oito vitórias em 53 jogos contra top 10. O histórico contra o britânico também não era animador, um triunfo e cinco derrotas. Tudo isso caiu por terra com uma grande atuação do sul-africano, que venceu por 7/6 (7-5), 6/3, 6/7 (2-7) e 7/6 (7-0) em 4h18 de batalha no Louis Armstrong Stadium.
O resultado faz com Anderson alcance as quartas de final de um Grand Slam pela primeira vez na carreira, aos 29 anos. Seu próximo adversário é outro top 10, mas com um retrospecto muito mais favorável. Anderson enfrenta agora o suíço Stan Wawrinka, quarto do ranking, a quem derrotou quatro vezes no ano passado e lidera o confronto direto por 4 a 3. Mesmo com essa vantagem, ele ainda não derrotou o suíço em Grand Slam.
Murray, por sua vez, tem sua campanha mais modesta em Nova York desde 2010, quando foi eliminado na terceira rodada. Desde então, o atual número 3 do mundo não parou antes das quartas, com destaque para o título em 2012, seu primeiro em Grand Slam. Além disso, a queda do britânico pode garantir a permanência de Roger Federer na vice-liderança do ranking, caso o suíço confirme o favoritismo mais tarde, diante de John Isner.
O primeiro set seguiu inteiramente sem quebras até o tiebreak, sendo que Murray foi o único a ter break points a favor. Ainda no quarto game da partida, Anderson contou com bons saques para evitar que o número 3 do mundo abrisse vantagem.
O britânico começou melhor no game desempate com ótima devolução, mas comteu uma dupla-falta no ponto seguinte. Ele ainda venceria um rali de 29 trocas durante o tiebreak, mas perderia o saque no ponto seguinte, em erro forçado após uma devolução agressiva sobre seu segundo serviço. Anderson concedeu o empate para 5-5 ao jogar um forehand na rede, mas o sul-africano voltaria a ganhar um ponto-chave no serviço do britânico ao definir um rali médio com winner no último ponto do set.
A vantagem de Anderson ficou ainda maior no começo do segundo set com uma quebra no segundo game após um lobe bem executado, que Murray respondeu tentando a passada, mas errando o golpe. Anderson ampliou a diferença para 5/1 e sacou para o set, com Murray salvando um set point com backhand na paralela e vendo o rival evitar a quebra três vezes com ótimos saques.
Murray devolveu uma das quebras após um erro não-forçado de Anderson, salvou mais dois set points dois games mais tarde e teve nova oportunidade de quebra, que não foi aproveitada. O sul-africano conseguiu confirmar o saque para fechar o segundo set, enquanto o britânico sentou-se na virada de lado irritadíssimo.
Logo de cara, Anderson quebrou Murray no terceiro set, mas o britânico reagiu vencendo três games seguidos. Com acerto de saque de 57% na parcial, e vencendo apenas 5 pontos nos 17 jogados em segundo serviço, Anderson criou quatro break points no set e buscou empate para 3/3. O placar permaneceu igual até o tiebreak, com Anderson saindo muito bem da pressão de sacar em 4/5 e 5/6.
O segundo tiebreak da partida teve dois fatores chave, bons saques de Murray e erros de Anderson. O sul-africando cedeu o primeiro minibreak ainda no começo e errou uma devolução na única vez que o britânico trabalhou com segundo serviço no game desempate. A dose de sorte do britânico aumentou em uma passada que tocou na fita e matou o adversário. A vitória no set foi definida em um ace.
O quarto set também acabou em tiebreak. Desta vez não houve quebras e apenas Murray teve o serviço ameaçado durante toda a parcial. Foram dois break points ainda no começo. O britânico ainda venceria um longo rali no 30 iguais do 12º game antes de forçar o tiebreak. Desta vez, Murray errou três vezes o primeiro serviço e mesmo quando acertou, tomou winner de devolução. Anderson foi impiedoso e fechou o tiebreak de zero.
Além de liderar a contagem de aces por 25 a 19, Anderson conseguiu incríveis 81 winners na partida contra 49 do britânico. Murray fez só 20 erros não-forçados contra 57 do sul-africano. Pesou ainda o baixo aproveitamento do número 3 do mundo em break points, 3 em total de onze oportunidades, contra 4 em 9 de Anderson.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
seja o primeiro a comentar