
Saques pesados, voleios perfeitos, deixadinhas desconcertantes. Roger Federer usou todo seu repleto arsenal de golpes para atropelar com eficiência e frieza Richard Gasquet e garantiu assim o terceiro ponto no duelo contra a França em pleno saibro. Com o placar de 6/4, 6/2 e 6/2, a Suíça conquista um inédito troféu na Copa Davis, Federer fatura um dos raríssimos títulos que lhe faltava e Stan Wawrinka comemora o segundo maior feito de sua carreira no espaço de 10 meses. A façanha veio diante de 27.448 pessoas, recorde para um jogo oficial de tênis em todos os tempos.
A suspeita da véspera de que havia algo errado com Jo-Wilfried Tsonga, que ficou de fora na partida de duplas, se confirmou uma hora antes da partida, quando o capitão Arnaud Clement anunciou a troca por Gasquet, justamente o jogador de pior desempenho no sábado. Tsonga havia perdido na sexta-feira para Wawrinka, por 3 sets a 1, e estaria sofrendo com dor no braço (ou cotovelo) direito. Com 17 jogos de simples e 10 vitórias pela Davis, Gasquet havia obtido importantes vitórias nesta temporada contra Austrália e República Tcheca, mas o retrospecto contra Federer era de apenas dois triunfos em 12 tentativas.
Incluído no time ainda em 1999, quando saia da carreira juvenil, Federer nem sempre priorizou a Davis no seu calendário, tendo deixado de disputar a primeira rodada do Grupo Mundial diversas vezes, o que levou a Suíça a disputar a Segunda Divisão em 2008 e 2011. Sua maior campanha até então era a semifinal de 2003, quando seu parceiro foi o desconhecido Michael Kratochvil e Roger perdeu o jogo decisivo para Lleyton Hewitt no quinto set. Ainda assim, ele é o recordista nacional de vitórias na competição, tendo atingindo neste domingo o 51ª triunfo (38 de simples e 13 de duplas) em 69 participações.
A Suíça se torna o 15º país a ganhar a Copa Davis e o fez em sua segunda tentativa, depois do vice em 1992 diante dos Estados Unidos. Já os franceses, que fizeram todos os duelos deste ano em casa, buscavam a 10ª conquista e a primeira desde 2001. Foi o terceiro vice seguido desde então, repetindo as frustrações de 2002, contra a Rússia em Paris, e de 2010, frente à Sérvia em Belgrado.
O jogo decisivo
A situação começou a ficar favorável a Federer muito cedo. Logo no terceiro game, com devoluções afiadas, ele obteve a primeira quebra da partida e isso deu ao suíço a condição de ser agressivo e sacar com maior tranquilidade. Na verdade, foi Gasquet quem escapou de outra perda de serviço no nono game, mas nada impediu o número 2 do mundo de completar a série com uma atuação segura.
A coisa só piorou quando o francês foi totalmente dominado no segundo game da série seguinte. Mesmo tendo aberrto 15-30 no sexto game, e apoiado ruidosamente pelo estádio de 27 mil espectadores, Gasquet assistiu Federer disparar saques perfeitos e um voleio alto indefensável. Com saque pouco contundente, viu-se perdido com devoluções precisas e sofreu mais uma quebra desalentadora. Federer completou o placar sem qualquer dificuldade.
A fragilidade de Gasquet mesmo na quadra lenta era patente. Com esforço, salvou três break-points no game inicial do terceiro set e manteve a igualdade somente até o quinto game. Aplicado no fundo de quadra, Federer chegou à quebra que seria definitiva e caminhou tranquilamente até uma deixadinha perfeita no match-point e a comemoração atirado ao saibro.
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