Desde a criação do Novo Basquete Brasil, em 2009, nenhuma equipe de São Paulo conseguiu conquistar o principal campeonato do país. Mas, nesta temporada, os paulistas já começaram além das fronteiras nacionais: é de uma equipe do estado a taça da Liga Sul-Americana. É do atual bicampeão paulista. É do Bauru – que pela primeira vez conquista o título. Não fossem os comandados de Guerrinha, os vencedores do torneio continental seriam outro time paulista. O Mogi fez uma excelente campanha durante toda a competição, mas parou na força de uma das novas potências do basquete nacional e na pressão da torcida local de Bauru, no lugar mais propício da cidade para tal euforia – o ginásio Panela de Pressão. Invictos, os donos da casa fizeram 79 a 53 e chegaram a seu segundo título na temporada.
Bauruenses levantam segunda taça em três meses: comemoração pela Sul-Americana (Foto: Sérgio Pais)
Assim, o Bauru está pronto para o terceiro. No sábado, joga pela medalha de ouro para a cidade, diante de Sorocaba, nos Jogos Abertos do Interior, que este ano ocorrem justamente em solo bauruense.
O título mais cobiçado – o do NBB – é distante para os campeões da Liga Sul-Americana. Distante porque o torneio só acaba no meio do ano que vem. Contudo, se depender de seus astros, Bauru, campeão nacional em 2002 (quando o torneio era organizado pela CBB), pode chegar longe. Para chegar ao título sul-americano com folga na final suas estrelas brilharam: o pivô Rafael Hettsheimeir foi o cestinha, com 18 pontos; o Jefferson foi o grande nome dos rebotes, foram 13 do ala-pivô; já Alex Garcia destacou-se nas assistências com 8. Pelo lado de Mogi, os melhores números foram de Tyrone Curnell (11), Gehrke (7) e Corazza (2), respectivamente.
A primeira conquista internacional na história da equipe carimba a vaga dos baurenses na Liga das Américas, competição mais importante do continente, que terá também, na sua próxima edição, os brasileiros Flamengo, Paulistano e São José.
ROBERT’S DAY
Panela de pressão teve todos os ingressos vendidos nesta quinta (Foto: Cairo Barros)
Mogi ficou desnorteado. Entrou assim. Os primeiros pontos foram do Bauru e já deram início à arrancada da equipe local. Os visitantes logo empataram, esboçaram um equilíbrio, mas logo viram os bauruenses brilharem nos dribles, na troca de passe e nas enterradas. Enquanto os donos da casa ouviam o apoio de sua torcida, os atletas mogianos escutavam algo que parecia ser mais alto que os gritos das arquibancadas: em sotaque espanhol, saiam do banco as broncas do técnico Paco Garcia. Do outro banco, levantou-se o inspirado ala-armador Robert Day para, nas primeiras três tentativas de fora do garrafão, ter 100% de aproveitamento e ajudar Bauru a fechar o quarto inicial por 25 a 11.
No segundo quarto, a defesa do Mogi evoluiu em números absolutos. Bauru fez cinco pontos a menos. O que a frieza dos números não conseguiu mostrar foi o quão entrosada é a equipe bauruense. Cheia de caras novas, a equipe de Guerrinha parecia se conhecer há anos. Alex Garcia, um dos calouros no time, poderia resolver sozinho. Partida impecável do ala da seleção brasileira. Mas brilharam também os pratas da casa: Gui Deodato e Ricardo Fischer. Assim, o Bauru foi aumentando sua vantagem. Fez 20 pontos no período e levou 11. O placar no intervalo apontava os anfitriões com uma folga de 23 pontos: 45 a 22.
PASSOU RÁPIDO
Sem medo, a torcida do Bauru já começava a se sentir campeã. Com a folga no placar, Guerrinha virou mais um espectador. As orientações eram passadas, mas a equipe jogava em ritmo de "É campeão" e "Está chegando a hora". O terceiro quarto foi mais equilibrado (21 a 18), mas ainda assim os bauruenses levaram a melhor mais uma vez e ampliaram a vantagem para 66 a 40.
De uma equipe talentosa para um grupo em ritmo de festa. Os últimos dez minutos tiveram poucas interrupções. Assim, os bauruenses conduziram o período, já embalados pela torcida. Mogi já sentia que não seria mais possível com uma diferença de mais de 20 pontos para um adversário tão forte e tão inspirado. O placar do último quarto traduziu: 13 a 13. A diferença se manteve em 26 pontos e Bauru levantou mais uma taça em três meses.
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