O fato de a NBA fazer sua primeira partida oficial no Brasil em si já é algo notório no que se refere ao interesse da maior e mais lucrativa liga de basquete do mundo no mercado brasileiro. Um personagem, no entanto, no controle dos bastidores, dá ainda mais importância ao evento do que o público ver de perto astros como Derrick Rose, do Chicago Bulls, ou Nenê Hilário pelo Washington Wizards.
Adam Silver, o número dois da NBA, abaixo apenas do comissário David Stern, desde 1984 no cargo, está no Rio de Janeiro. A partir de fevereiro de 2014, será dele a palavra final e, como ele disse em entrevista para um grupo de jornalistas em um hotel na zona sul da cidade, "ser o número dois é bem diferente do que ser o número um". Silver assumirá um esporte-show-business que o público brasileiro poderá conferir neste sábado, às 18h (de Brasília), na HSBC Arena, na zona oeste.
"É uma relação antiga (com o Brasil), que não começa com o jogo de hoje. Eu certamente vejo no futuro não só jogos de exibição, mas também jogos regulares da temporada", afirmou sobre o jogo amistoso que o Brasil recebe, no mesmo calendário em que México e Inglaterra receberão partidas oficiais. Adam Silver, desde 1992 na associação de basquete dos EUA, convive agora com a expectativa de assumir o cargo máximo da NBA aos 51 anos, muito embora ele evite se estender no assunto, por questão de elegância mesmo.
"Quando eu olho para cinco repórteres, vejo um grande ponto de interrogação e penso: o que será que o David responderia?", responde bem-humorado, como esteve em todos os 34 minutos que dispensou para os jornalistas brasileiros. "Eu estou na liga há muito tempo e em muitas maneiras. Ainda assim, vou ter que aprender muita coisa".
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Uma coisa, porém, o ainda vice-comissário e assistente direto de David Stern aprendeu. Seguindo os passos de Stern, que tirou a liga de jogos em videotape na TV para transmitir as partidas para nada menos do que 215 países ao vivo, a cores e em alta definição, Silver não se opõe em nenhum momento quando indagado acerca da ideia de se ter, por exemplo, uma franquia europeia da NBA ou até mesmo uma Copa do Mundo de seleções organizada por eles.
Por mais que seja polido ao reafirmar laços com a Federação Internacional de Basquete (Fiba) e complementar o desafio com a dificuldade em reduzir o calendário "afinal estamos falando de um formato em que começamos uma pré-temporada em outubro e vamos até o final de junho", como define, Silver ao mesmo tempo quer "aproveitar que o mundo está menor", como brinca, e globalizar ainda mais a NBA.
Uma vez que a internet já faz esse trabalho atualmente por contra própria, o próximo passo de Silver será usar seus astros in loco. Em 2016, o All Star Weekend, o Jogo das Estrelas que reúne a nata da nata do basquete, acontecerá em Toronto. Pela primeira vez fora dos EUA. E ele não descarta outros países, por mais que este projeto não seja para curto prazo.
"Para isso acontecer, teríamos que mudar o calendário da temporada para achar o tempo necessário para esse deslocamento. Não é algo impossível uma vez que a nossa liga continua a crescer. Um dia vai acontecer", confessa.
"Além disso, a experiência da NBA é mais do que um jogo de basquete. Há toda a questão do entretenimento, dos dançarinos, dos shows, dos vídeos, tudo isso faz parte. Invariavelmente, com o mundo ficando cada vez menor, eu vejo essa possibilidade de times da NBA fora dos Estados Unidos", responde ainda sobre a chance de uma franquia europeia, no que complementa dizendo que "eu certamente acho que é possível".
Copa do Mundo NBA
Com a dificuldade enfrentada com o extenso calendário da liga, no que em algumas oportunidades alguns jogadores até deixam de servir suas seleções, Mark Cuban, bilionário americano dono dos Dallas Mavericks, já levantou a bandeira em algumas oportunidades de que a NBA poderia organizar por conta própria uma Copa do Mundo.
A ideia esbarraria na Fiba, que organiza os Mundiais de basquete. Silver, porém, apesar de reforçar laços com a entidade, não vê nenhum impedimento de que a sequência natural do esporte possa convergir neste sentido. "Mark Cuban é um ótimo homem de negócios e sabe ver as oportunidades. Continuamos trabalhando com a Fiba, e com as mesmas questões que temos em nossa liga no que se refere ao cuidado com os jogadores", explica sobre os cuidados com lesões de jogadores, motivo de preocupação constante quando o atleta atua fora da área da liga.
"O basquete é um jogo fantástico que só cresce globalmente falando, então, nesse ponto, Mark Cuban está certo porque teremos cada vez mais oportunidades globais de competições e negócios. Acho que o futuro dirá se é possível de acordo com a demanda dos fãs", complementa.
Por fim, por mais que seja improvável a negociação imediata, ainda deixa em aberto a possibilidade de trazer de volta algo parecido com o que foi o McDonald's Championship, torneio intercontinental de clubes que foi extinto após 1999, ano em que o Vasco da Gama, do Rio, foi derrotado na final pelo San Antonio Spurs.
"É algo que já conversamos com a Fiba e, por agora, o calendário não nos permite, já que temos uma longa temporada regular. Então, com o tempo, é algo que temos que dar atenção. Mas não vejo como a NBA, num período curto, pode participar disso", finaliza.

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